Categoria: Crônica
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Imagine: de frente ao fogo
Eu, você, vinho, uma lareira e só a sua pele na minha para nos aquecermos, num chalé, no meio do nada. Ou no meio de tudo, porque se você estiver lá, o que mais seria preciso? Talvez estejamos numa viagem para a Itália, percorrendo ruelas históricas com cheiro de massa assando e o tilintar de…
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Meu jeito de fazer o mundo girar – palavras
“Quero mover as pás dos moinhosE abrandar o calor do solQuero emaranhar o cabelo da meninaMandar meus beijos pelo ar”. (Vento ventania, 1991) Eu sou palavra, sou sopro tornado em sons, sons que viraram letras. Não sou mais que palavras. É do que vivo, o que me constitui e o que faço cada vez mais,…
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Te conheço de outra foto…
Vi você no jornal de ontem. Numa matéria pequena, quase acidental, como aquelas notas que só existem para preencher espaço entre os anúncios de colchões e os classificados de aluguel. Estava ali, sorrindo com esforço, como quem tenta lembrar como era fazer isso de verdade. O título da matéria não importa — era algo sobre…
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Ainda importam…
Falemos das coisas da alma, do alto, das coisas do espírito que ainda importam. Falemos do sorriso, do olhar, do estar presente, mesmo sem falar. Que possamos respirar, piscar com calma e sentir a vida que percorre a veia, nem sempre com pressa. Pare para ler, para refletir o porquê de estarmos correndo tanto… Ainda…
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Saudades de quando não era
O riso no cômodo ao lado, que narrava a cena recém vivida, caiu como uma pedra no estômago. Já não seria a primeira, elas se acumularam ao longo dos anos. O saber de que aqueles sem pudor estavam aumentando em números pesou ainda mais e, na penumbra de uma noite na varanda, que prometia leveza…
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Mãe, eu o achei!
Era como se eu tivesse uma missão, um propósito e eu tivesse cumprido com perfeição. Desta vez, mãe, eu senti o mesmo, não vou mentir, quando o encontrei. Um lampejo daquela alegria antiga, isso que costumava significar algo bom.
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O sabiá que sabia olhar
No coração da mata, onde a luz do sol brincava de esconder entre as folhas, havia uma capivara imóvel, com os olhos semicerrados, quase míopes, mirando algo que parecia muito importante – ao menos para ela. O pássaro, um sabiá curioso e tranquilo, pousou em um galho próximo, inclinando a cabeça com interesse. — Boa…
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Cicatrizes invisíveis – o elástico, a areia, a brisa
Quando criança, o tempo era elástico. Ele cabia em tudo: nas tardes infinitas de brincadeiras, nas histórias lidas antes de dormir, nos silêncios em que o vento soprava no rosto. E era apenas isso, o vento soprando no rosto, um sol que me banhava no quintal enquanto corria com meu cachorro, um elástico que eu…
