Inovação é todo projeto que é novo, para você, e que tem um retorno incerto. “As pessoas estão acostumadas a imaginar o gênio inovador que salva a todos na empresa com uma ideia fantástica, mas esquecem-se do outro lado da inovação: os 99% de transpiração que se seguem a uma boa ideia”.

As palavras são de Chris Trimble – coautor de dois best sellers, “O outro lado da inovação” e “Os 10 mandamentos da inovação estratégica”, e professor da Tuck School of Business da Dartmouth University (tida como uma das melhores escolas de administração do mundo).

Modelos

Para o especialista, existem três modelos básicos de se investir em inovação dentro das empresas, cujos dois primeiros são os mais utilizados. “No primeiro o investimento é em motivação de ideias. Aqui o modelo prioriza os colaboradores como inventores, mas a iniciativa é deles e a função da empresa é dar abertura”, afirmou em palestra realizada na última edição do Fórum de Inovação e Crescimento promovido pela HSM Management, na capital paulista

No segundo modelo, de acordo com ele, a inovação é tratada como um outro processo da empresa. Segue padrões, é sistematizada e de tempos em tempos deve apresentar resultados.

“As falhas”, segundo Trimble, “desses modelos ocorrem porque, no primeiro, as pessoas estão atarefadas demais na maior parte do tempo e isso gera uma barreira, um limite ao desenvolvimento. No segundo, a repetição e sistematização, com rotinas e cronogramas engessam a inovação e deixa tal desenvolvimento inflexível”.

Assim, o terceiro modelo colocado pelo professor visa quebrar esses limites. Esse modelo tem foco mais na execução do que na criatividade e coloca o esforço como prioridade.

Indivíduos

O terceiro modelo visa uma equipe específica dedicada em tempo integral à inovação, mas não de maneira ampla como no segundo modelo, e sim com um projeto específico.

Este modelo, apesar de ver cada indivíduo de uma maneira única, não prioriza um gênio criativo apenas, mas dá ênfase para a equipe, para a excelência da organização. “Parem de pensar em heróis”, diz Trimble, “uma pessoa contra o sistema pode até funcionar, mas as chances são maiores com a empresa toda empenhada”.

Empresa, padrão e empenho

O empenho dessa equipe específica está relacionado diretamente com o dia a dia da empresa. Para Trimble, empresas são motores, engrenagens de performance que alcançam sucesso por conta da repetibilidade, respeito aos processos e previsibilidade do retorno. “Inovar é trazer mudanças para essa engrenagem e não ‘quebrar’ esse motor”. Para que a inovação funcione, ela precisa do respaldo da engrenagem de performance, trabalhando de maneira adequada. “É o que dá segurança à equipe específica”.

Líderes

Os líderes precisam ter em mente que conflitos são normais durante o processo de inovação e ocorrem especialmente entre a engrenagem de performance e a equipe específica.

“A habilidade deles não está em evitar o conflito propriamente dito, mas em mediar as partes na resolução deste”, afirma o especialista. A recomendação do professor é para que haja um líder sênior que esteja acima dos líderes das outras duas equipes (específica e motor) e que possa minimizar tais situações.

Outro aspecto a que o líder deve atentar é o planejamento. Pensar estrategicamente, segundo Trimble, envolve organizar, planejar e executar. Porém, quando existe uma ideia nova envolvida as pessoas passam da criatividade para a pressa de fazer acontecer sem pensar na organização e planejamento. “O terceiro modelo envolve boas ideias, líderes competentes, equipe dedicada e planejamento de execução”.

Projetos e dicas

O projeto a ser trabalhado necessita de parceria entre a engrenagem de performance e a equipe dedicada. “Prefira montar a equipe com funcionários da empresa. Trazer gente de fora pode ajudar, mas em grandes quantidades tende a atrapalhar o trabalho”.

O professor dá algumas dicas pontuais: deve-se dividir o trabalho a ser feito; montar uma equipe integralmente dedicada; saber lidar com a parceria entre motor e equipe; lidar e dar atenção aos conflitos, pois geram ideias; e fazer experimentos disciplinados, com previsões, para se aprender com os resultados.

Resultados

Levante hipóteses e planeje os resultados. Ao final, veja se os alcançou ou ultrapassou. Faça reuniões frequentes com foco no que ainda não se sabe. Gaste pouco e aprenda muito.

De acordo com o especialista, seguir a trilha da inovação exige investimento, esforço e compromisso. Ser criativo não significa deixar de se ter regras, mas a equipe dedicada precisa de alguma independência.

“A inovação é o que está por trás, é a verdade dos negócios. Resolver o insolúvel, mudar vidas, inovar, isso é o que faz a diferença em algumas empresas. Não é fácil nem muito previsível, mas, se fosse, não seria inovação”, encerra Trimble.

Conteúdo produzido por Moraes Mahlmeister Comunicação. Texto de Renan De Simone; edição e revisão de Juliana de Moraes. Publicado pelo site do Sincodiv-SP Online.