A imagem é a seguinte: um alto executivo, líder da empresa, utilizando uma máquina de datilografar para fazer seus relatórios e muito concentrado no trabalho, especialmente quando é necessário corrigir algum termo. Neste momento, ele tira a folha, passa um lápis corretivo por cima da palavra errada e recoloca o papel na máquina para “bater” novamente o texto, tomando o cuidado de acertar a direção das letras.

Quando você pega a folha, percebe que ele foi cuidadoso o suficiente para colocar numa cor de letra diferente aquilo que merecia destaque, um gênio que sabe utilizar com maestria as duas cores distintas das fitas da velha Olivetti.

De tarde ele passa uns telegramas para os parceiros e colaboradores sobre coisas da empresa, e resolve fazer uma ligação, não de seu celular, mas sim de um enorme telefone de mesa com os números a serem discados numa roda que vai e volta fazendo um barulhinho peculiar.

Parece loucura imaginar uma cena dessas hoje em dia. Com as facilidades dos computadores, celulares, e-mail, internet, impressoras, etc… Mas, e se eu dissesse que algumas pessoas adotaram os novos equipamentos, mas ainda vivem com suas mentalidades atreladas a velhos processos, lentos, dificultosos?

Algumas organizações encontraram maneiras específicas de executar algumas atividades quando ainda eram jovens e não modificaram sua atuação ao passar dos anos, o que traz problemas para se adequar ao presente. (Muitos afirmam até que esse é um dos principais problemas do funcionalismo público).

Defendo, sim, a preservação dos valores da empresa, bem como seu capital humano, mas procurar alternativas, novas formas de se executar tarefas e diversificar a utilização de ferramentas nos processos (internos ou externos) não é crime nem pecado; pelo contrário, é saudável ao ambiente.

Se você é um gestor e desconfia que talvez esteja preso a tais parâmetros, pode começar a perguntar para sua equipe. Quando o “chefe” acha que alguma coisa em seus procedimentos está estranha é porque seus colaboradores já viram há tempos e, provavelmente, devem até ter uma solução para sugerir.

Por isso é tão importante que os líderes mostrem que existe espaço para diálogo e confronto saudável de ideias dentro de suas organizações.

Algumas lideranças iniciam sua carreira com força total e perdem o jeito com o passar do tempo por entrar na famosa “zona de conforto”, ou por medo de arriscarem. A dica é: arrisquem, mudem! Se suas empresas não podiam abrir mão de determinados fatores, analisem novamente… Este pode ser um outro momento. Caso contrário, vocês tendem a ficar como o elefante domesticado.

Meu irmão é biólogo, e certa vez me contou algo curioso. Para se domesticar elefantes, os tratadores os prendem com correntes a estacas de madeira bem fincadas no solo e os “jovens” animais ainda não têm força suficiente para dali se libertarem. Depois de um tempo tentando, eles desistem, pois, além de não conseguirem, as amarras ainda machucam um pouco suas patas. Quando crescem, os animais têm força mais que suficiente para se libertarem, mas não o fazem porque se acostumaram a pensar que aquela pequena corda ou corrente os detêm.

Li e comprovei essa mesma história no livro Pense Melhor (Think Better, em inglês), de Tim Hurson, obra que também aborda os “grilhões” que nos prendem a velhos pensamentos.

Assim, não seja um líder preso a velhas amarras. Não assuma o papel de um elefante crescido adaptado à vida de animal domesticado de circo!