Renan De Simone

Categoria: Crônica

  • A primeira vez que a provei

    A primeira vez que a provei

    Eu me lembro dela como se lembra das coisas que não deveriam ter acontecido: com uma mistura indecente de saudade e vergonha. Ela chegou sem pedir licença. Não houve jantar, flores, música lenta ou aquela liturgia ridícula que inventamos para chamar de amor. Não houve sequer tempo suficiente para que eu descobrisse seus defeitos. Talvez…

  • Quem chamam?

    Quem chamam?

    A gente pode criticar a bermuda com camisa, uma agressão à moda que, em alguns casos, deveria até ser prevista em lei. Pode reclamar daquele tênis que não combina com absolutamente nada, do cabelo que parece ter sido penteado pelo vento, da barba que já passou da hora de ser aparada e daquele humor duvidoso…

  • Antes de tocar a terra

    Antes de tocar a terra

    Não houve revolução. Revoluções fazem barulho e logo encontram novos cabos para empunhar velhas pás. Houve apenas uma interrupção. Pela primeira vez alguém apontou um pedaço de chão e eu permaneci imóvel.

  • Não vá embora sem sair

    Não vá embora sem sair

    Helena tinha a mania de chegar antes. Se alguém fosse buscá-la, atrasava-se, mas tinha a mania de chegar antes. Chegava antes nos cafés, antes nas conclusões, antes das tempestades e, principalmente, antes de admitir que estava com medo. Era uma dessas mulheres que pareciam ter nascido com uma bússola dentro do peito: decidida, luminosa, perigosa…

  • Crônicas da insanidade

    Crônicas da insanidade

    Há uma piada antiga, dessas que parecem ter sido inventadas durante uma conversa entre dois amigos com sono, naquele ponto em que a sensação de cansaço já funciona quase como o efeito do álcool e em que tudo é engraçado. Ela é sobre um homem que vinha andando tranquilamente pela rua quando avistou outro homem…

  • Crônicas de uma infância

    Crônicas de uma infância

    Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente). Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e…

  • Sobre confiança

    Sobre confiança

    Talvez fosse tempo de Páscoa, mas não tenho certeza. Sei que era um feriado prolongado e que, na época, ainda por volta dos 14 anos, não trabalhávamos com a necessidade de sustentar nossos lares. Éramos jovens ainda numa transição entre buscar diversões mais adultas e ter uma espécie de ficção instalada na mente em que…

  • Jogar-se na cama

    Jogar-se na cama

    Eu me jogava mais na cama quando jovem. Mãos abertas, braços esticados, espreguiçando… Quedava-me assim por alguns segundos, talvez um minuto, e logo levantava e ia fazer outras coisas, mas me jogava. Seja na minha casa, no lar dos meus avós, ou quando estava de férias em algum outro local, eu me jogava, espalhava, depois…

  • Feliz dia…

    Feliz dia…

    Feliz dia das crianças para quem ainda é criativo, fazendo mundos incríveis a partir de bonecos, formatos de nuvens no céu ou um pedaço de tecido colorido. Para quem ainda se joga no colo dos pais, dos avós ou para quem se jogaria, se pudesse… Pois sabemos que a vida às vezes não permite realizarmos…