A famosa Geração Y é conhecida pela amplitude de ferramentas que domina, processos simultâneos que executa, exigência de maior liberdade no mercado de trabalho e mais uma infinidade de questões que mostram que o que os separa da geração anterior não é apenas um punhado de anos.

Entretanto, uma década, ou mesmo 100 anos, pouco contribui para alterar a essência do ser humano. Os Y podem ser mais velozes, desejar crescimento profissional rápido, ter mais tempo de preparação e mesmo se respaldar na segurança financeira de seus pais sem serem cobrados por resultados nesse sentido logo de início, mas continuam sendo pessoas, e isso não é só o que as empresas precisam aprender para melhor lidar com eles, mas o que eles precisam ter em mente sempre.

Talvez por influência familiar, essa geração tem a característica de pensar apenas no mercado de trabalho e sucesso na profissão quanto ao preparo educacional. E, muitas vezes, tomam como ideia fixa alguns objetivos, o que pode ser perigoso.

Entendam que não se fala aqui de defender uma vida impulsiva ou sem objetivos, mas sim de que tais objetivos devam ser um pouco diferentes, ou talvez eu devesse dizer, um pouco maiores.

Já vi pessoas com extremo potencial em diversas áreas jogar a maioria de seus talentos para o alto em busca de um único objetivo, e isso não traria problema nem seria motivo de reflexão aqui se não fosse pela simples questão de que, afinal, a coisa toda não saiu muito bem.

No Brasil, por conta de uma série de fatores, o ensino superior tem crescido e mais e mais jovens já incluem tal objetivo de saída em suas vidas. Mais que correto. O problema é o olhar sobre o trabalho.

Curso superior não garante emprego, muito menos desenvolvimento pessoal ou capacidade de liderança, este tipo de habilidade só vem com o tempo, prática e com experiência. Numa analogia simples, não adianta você comprar a melhor caixa de ferramentas do mercado e até saber como usá-la, mas não ter ideia de onde ou mesmo o porquê. Se o motivo for apenas financeiro, aí a coisa complica.

E aqui faço duas afirmações: existem, sim, jovens experientes e preparados; e há espaço para eles, mas peço que as empresas não se empolguem com o primeiro que bater à porta fazendo propaganda de si. Se tem algo que a Geração Y aprendeu é a fazer anúncios, que nem sempre culminam na verdade. Por crescerem cercados por câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e, mais recentemente, a internet e as tão faladas redes sociais, eles são políticos natos. Infelizmente, nem sempre no bom sentido.

Os jovens devem ter foco na sua formação sim e buscar seus sonhos, mas eles devem ser maiores. Por exemplo, em vez de buscar ser o gerente de tal área ou ser um engenheiro que ganha bem, eles devem ter metas superiores, como ser alguém que tenha prazer em desenvolver e cuidar de outros, como um bom líder deve ter; ou mesmo, antes de ser um profissional com um bom salário, almejar ser uma pessoa boa, que inspire outras e que, além disso, seja um bom engenheiro. Nesses casos, o dinheiro vem depois, ele é um meio e não uma finalidade em si.

É tão mais gratificante ser reconhecido pelo que se é e não pelo que se tem. Os jovens precisam descobrir isso.

Buscar apenas alguns termos específicos na sua trajetória pode afastar o sucesso exatamente nas áreas em que mais se deseja. Foco é essencial, mas é preciso procurar outras coisas, diversificar o campo de saberes e atuação. Foco é diferente de obstinação.

Desenvolver competências que a princípio não parecem ter serventia, investir em relacionamentos e se desenvolver como pessoa de uma forma geral é o caminho. Caso contrário, ficamos como um adolescente que quer tanto ter relações sexuais que acaba “falhando” na hora H.

Se o foco for um crescimento pessoal e profissional conjuntos, vale ter ideia fixa, caso não, fica aqui a advertência de Machado de Assis:

A minha idéia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se idéia fixa. Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho. (SIC – Memórias Póstumas de Brás Cubas).