Renan De Simone

Categoria: Crônica

  • Crônicas de uma infância

    Crônicas de uma infância

    Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente). Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e…

  • Sobre confiança

    Sobre confiança

    Talvez fosse tempo de Páscoa, mas não tenho certeza. Sei que era um feriado prolongado e que, na época, ainda por volta dos 14 anos, não trabalhávamos com a necessidade de sustentar nossos lares. Éramos jovens ainda numa transição entre buscar diversões mais adultas e ter uma espécie de ficção instalada na mente em que…

  • Jogar-se na cama

    Jogar-se na cama

    Eu me jogava mais na cama quando jovem. Mãos abertas, braços esticados, espreguiçando… Quedava-me assim por alguns segundos, talvez um minuto, e logo levantava e ia fazer outras coisas, mas me jogava. Seja na minha casa, no lar dos meus avós, ou quando estava de férias em algum outro local, eu me jogava, espalhava, depois…

  • Feliz dia…

    Feliz dia…

    Feliz dia das crianças para quem ainda é criativo, fazendo mundos incríveis a partir de bonecos, formatos de nuvens no céu ou um pedaço de tecido colorido. Para quem ainda se joga no colo dos pais, dos avós ou para quem se jogaria, se pudesse… Pois sabemos que a vida às vezes não permite realizarmos…

  • Imagine: de frente ao fogo

    Imagine: de frente ao fogo

    Eu, você, vinho, uma lareira e só a sua pele na minha para nos aquecermos, num chalé, no meio do nada. Ou no meio de tudo, porque se você estiver lá, o que mais seria preciso? Talvez estejamos numa viagem para a Itália, percorrendo ruelas históricas com cheiro de massa assando e o tilintar de…

  • Meu jeito de fazer o mundo girar – palavras

    Meu jeito de fazer o mundo girar – palavras

    “Quero mover as pás dos moinhosE abrandar o calor do solQuero emaranhar o cabelo da meninaMandar meus beijos pelo ar”. (Vento ventania, 1991) Eu sou palavra, sou sopro tornado em sons, sons que viraram letras. Não sou mais que palavras. É do que vivo, o que me constitui e o que faço cada vez mais,…

  • As caminhadas silenciosas

    As caminhadas silenciosas

    Sentou-se sem dizer palavra. A cadeira rangeu sob seu peso, um som discreto como tudo ali. O copo chegou antes do pedido – um uísque âmbar, servido com a precisão de quem já sabia o que ele precisava. Talvez o barman soubesse mesmo. Talvez todos ali soubessem. Um pacto tácito parecia selado entre os presentes:…

  • Te conheço de outra foto…

    Te conheço de outra foto…

    Vi você no jornal de ontem. Numa matéria pequena, quase acidental, como aquelas notas que só existem para preencher espaço entre os anúncios de colchões e os classificados de aluguel. Estava ali, sorrindo com esforço, como quem tenta lembrar como era fazer isso de verdade. O título da matéria não importa — era algo sobre…

  • Ainda importam…

    Ainda importam…

    Falemos das coisas da alma, do alto, das coisas do espírito que ainda importam. Falemos do sorriso, do olhar, do estar presente, mesmo sem falar. Que possamos respirar, piscar com calma e sentir a vida que percorre a veia, nem sempre com pressa. Pare para ler, para refletir o porquê de estarmos correndo tanto… Ainda…