Renan De Simone

Jogar-se na cama

Eu me jogava mais na cama quando jovem. Mãos abertas, braços esticados, espreguiçando… Quedava-me assim por alguns segundos, talvez um minuto, e logo levantava e ia fazer outras coisas, mas me jogava. Seja na minha casa, no lar dos meus avós, ou quando estava de férias em algum outro local, eu me jogava, espalhava, depois me ajuntava e seguia em frente.

Hoje, temos as mãos ocupadas com celulares, a cabeça pesada de ideias que não são nossas, o coração preocupado de sentimentos que nem foram ditos pelas nossas bocas.

E… estranhamente, não me jogo mais na cama. Apenas à noite, mas tão cansado que já quase não aproveito o prazer de sentir os músculos relaxando, os ossos descomprimindo articulações e os braços alongando. Não se se me jogo ou se apenas deito, quase tímido de tentar descansar, quase com culpa.

Atualmente, me movo e estalo, meus ossos rangem e o corpo parece ter se desacostumado a fazer movimentos que não sejam repetidos e quase robóticos. Até meu olhar caminha caminhos pré-definidos, rotas já feitas.

É preciso renovar, mover-se diferente, aliviar as ideias e o corpo.

Não sou mais jovem, diriam, mas nem por isso eu deveria parar de me jogar na cama, me espalhar até o fim do mundo antes de me ajuntar novamente. De qualquer forma, uma coisa ainda não mudou: eu sigo em frente…

Comments

Uma resposta para “Jogar-se na cama”.

  1. Avatar de SHIRLEY TADDEI DE SIMONE
    SHIRLEY TADDEI DE SIMONE

    Ao meu poeta preferido, não deixe os problemas do dia a dia tirar a pureza e a delícia de se jogar na cama e sentir as delícias da vida

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