A verdade do “viadinho”

E a verdade do mundo atual, que vejo se comprovando mais e mais, é que os viados são os menos viadinhos que conheço.

Porque ser viado no sentido homossexual não tem nada a ver com ser “viadinho”. Em algum momento, alguém pode ter relacionado as coisas, mas vejo uma grande mentira aí.

Ser viadinho é ser covarde, é só atacar em bando e em vantagem numérica, é não arriscar em nada, ser um fracassado antes mesmo de começar qualquer coisa na vida porque não se dá um passo com fé, com a cabeça erguida, apenas se esgueirando pelos cantos, jogando sujo, atirando pessoas umas contra as outras, menosprezando pessoas porque não sabe como se sentir um sujeito sem pisar em outro ser humano.

Viadinho é ser egoísta, mesquinho, não pensar nem na própria família e amigos antes de si mesmo. É se acovardar, fazer jogo de ego com sua namorada, seu marido, seu companheiro, acreditando que diminuir alguém te fará melhor, te colocará “no controle”, essa ilusão do controle que não nos leva a lugar algum.

É fazer tipo de algo que não ressoa com sua alma apenas para agradar falsamente alguém que provavelmente não importa. É ter vergonha de sua origem, negar raízes e cultura para comprar ideias prontas e enlatadas de algum outro lugar – e não me refiro a admirar uma cultura diferente, gostar de algo que antes não pertencia a seu universo e expandir horizontes, é o oposto disso. É se fechar em uma perspectiva afunilada da vida, julgar tudo e todos, menos a si mesmo. É ser burro e estúpido, quando se acha esperto e inteligente.

Ser viadinho é se fingir de amigo para usar coisas íntimas de alguém contra a pessoa ou para se autopromover. É ser o responsável pelo fracasso de um relacionamento e culpar o outro. É ter vergonha de suas lágrimas, de sua risada original, de seu amor e de seu jeito de viver.

Na moral, não sei as pessoas que vocês conhecem, mas os viados que conheço são bem diferentes disso. Eles se colocam à frente, mas para proteger pessoas que amam. Eles assumem a bronca, assumem a treta e, em geral, a resolvem com coragem, graça e cabeça erguida, dando lição de vida e inspirando as pessoas a serem mais fortes, a acreditarem em si e motivar amigos, familiares e todos a seu redor.

São pessoas que riem, bebem, conversam, choram e abraçam, estando no momento. Sabem que não são muros de concreto impenetráveis e que caem em momentos difíceis, mas sim árvores que enfrentam tempestades e podem até sair molhadas, mas usam tempos difíceis como combustível para florescer no futuro.

Quer uma dica? Nunca confunda um viado com um viadinho. E o importante aqui não é a palavra usada em si, mas a atitude. Porque tem muito “viadinho” pagando de macho alfa, de romântico, de mulher empoderada, de influencer, de professor, coach, chefe e, o pior: muito viadinho pagando de amigo, de amiga, de gente em que se pode confiar, mas que não deveríamos.

Mais do que apontar dedo para alguém que pode ser esse “viadinho”, vamos olhar para nós e termos certeza de que não somos nós os viadinhos, independentemente de sermos homens, mulheres, homo, hetero ou bissexuais, brancos, negros, amarelos, expansivos, tímidos, nerds ou “descolados”. Até porque: preconceito de qualquer tipo é coisa de viadinho.

Tenha a certeza de refletir bem para poder falar com orgulho, como acertadamente disse Chorão, “não sou como você, FDP viadinho”.

Já era!

Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

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