Para minha mãe amada!

Sabe, mãe, escrevi este texto há algum tempo e não sei se mandei para ti. Talvez tenha sido vergonha, ou por achar que ainda estava incompleto. Além do fato de que pessoas metidas a serem escritoras acreditam que os trabalhos nunca estão finalizados, ainda há a pura verdade de que o amor que tenho por ti não cabe em palavras. Elas são fracas e poucas, insuficientes!

Mas essa vida é um pouco assim, como você me ensinou. Falta sempre alguma coisa, mas isso nos motiva a seguir e buscar. De tudo que pode faltar em mim, como a certeza de que um texto está finalizado, por exemplo, tenho plena convicção de que não falta o amor, pois isso você me deu de sobra, acompanhado de broncas, dicas e sorrisos, muitos deles que até hoje me sobram para dar e distribuir, pois recebi de ti de coração aberto!

Esse tempo estranho que vivemos, com pandemia, covid-19 e tudo que vem no pacote não vai deixar a família celebrar essa data como sempre gostamos de fazer: juntos, numa bagunça só. Entretanto, permanece o carinho, amor e a gratidão imensa. A ti, por tudo que fez e faz, e a Deus, pela vida que posso compartilhar contigo e com todas as pessoas que amamos. Algumas já até de foram, mas nunca batem a porta porque permanecem em nossos corações!

Bem, o intróito todo foi apenas para seguir com palavras mais bem humoradas, não menos verdadeiras, porém. São uma singela homenagem, e é claro que homenageio todas as mães aqui, mas você é a musa que inspirou esse olhar e me inspira a não desistir, não importa o que aconteça.

Segue a música, segue a vida, segue a batida, do meu coração e do seu. Pois que, se a vida palpita forte em meu peito assim, bate intenso porque ele foi você quem me deu…

Já deixei de arrumar o quarto quando ela mandou e nada de ruim aconteceu, mas tive muito mais dificuldade para achar o que precisava depois.

Já guardei minhas roupas sem dobrá-las, contrariando uma recomendação expressa e não morri, mas saí mais desarrumado do que pretendia.

Já deixei até de levar blusa quando ela insistia e não passei frio. Deixei comida no prato e ninguém da África veio me dizer que matei uns habitantes. Já dormi sem escovar os dentes e ainda os tenho aqui (talvez com algumas obturações). Ela já jogou uma coberta sobre mim durante um cochilo e acordei com calor, pois não estava com frio.

Todo mundo fala que mãe está sempre certa e é verdade! Ora, “mas se você acabou de exemplificar tantas vezes em que ela esteve errada, como estaria sempre certa?”.

Fácil! Ser mãe não é sobre estar certa sempre, mas sobre amar de maneira tal que você se dispõe a incomodar para querer ajudar e proteger ao máximo; ensinar mesmo quando não questionada para evitar que outros cometam seus erros, e que você sabe quanto podem doer; é se encher o saco de vez em quando e reclamar de tudo, mas só porque quer um pouco mais daquele tudo que parece incomodar.

É, mãe, eu sei que você é humana e erra, mas eu fico com a pulga atrás da orelha quando você diz para não fazer algo e eu faço, mesmo que eu saiba exatamente o que estou fazendo.

Eu já disse que me irritou e saí pisando firme, mas você não tem ideia de quantos chinelos desvirei com medo de te perder, mesmo sabendo que é uma superstição tola, mas é melhor garantir!
Não quero que um chinelo me faça te perder, assim como não deixarei que os copos sujos, roupas bagunçadas, ou uma blusa num dia de calor me afastem de ti. Eu te amo! E reclamar faz parte. Assim como você me ama e reclama também.

A gente costuma dar bronca em quem importa e em quem achamos que ainda vale a pena e tem conserto.

Obrigado por não desistir de mim, nem por um minuto.

Beijos a você e a todas as mães maravilhosas do mundo. Pois todas contribuem para que a imagem de vocês permaneça incrível e a opinião válida… Mesmo que eu não queira arrumar o quarto e consiga encontrar o que preciso depois.

Feliz dia das mães! Não some nunca, tá? Pronto, combinado! Te amo ❤️

Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

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