O inferno não existe! Parte 2 – Sacrifícios de sangue

Perdão e livre arbítrio

Bem, Jesus se sacrificou para nos perdoar os pecados, nos justificar e lavar com seu sangue. Se os culpados têm dívidas para com Deus, então, a solução de Jesus é simples – maluca, mas bem lógica. Se Jesus não teve pecado, mas foi considerado como um pecador, há uma outra dívida irreparável com ele, e aí essa seria usada pelo ungido para nos dar uma chance de redenção perante Deus e sua criação, assumindo sobre si nosso manto de culpa sem tê-la, pagando uma dívida que não era dele e, pelo seu sacrifício, sendo também exaltado.

Durante muito tempo me queimou a cabeça a ideia de que Deus exigiria sacrifícios de sangue pelos pecados que nós humanos cometemos contra Seus mandamentos. Cheguei até a verificar que, se sua dívida é para com alguém eterno, então seu débito também o é, mas isso ainda não era suficiente.

Daí Ele entrega o próprio filho à morte em sinal de amor por nós como que dizendo: “olha o que estou fazendo pra vocês entenderem que não é sobre morte, justiça ou crédito e débito. A vida é a respeito de graça e eu a dou a vocês neste sinal como dei a vida, sem que ninguém me pedisse ou exigisse!”.

Se esse é o Deus que cremos, o Deus de amor e graça que se condensa na figura de Jesus, então outro pensamento se consolida: não há mesmo inferno, vez que há perdão dos pecados e nenhum ainda foi julgado em definitivo.

Que se esclareça aqui que a oportunidade e possibilidade de perdão não devem ser encaradas como um “salvo conduto” para se cometer a bobagem e o pecado que se deseja, não!

O perdão é o reconhecimento das palavras de Jesus que diz que não há nenhum que seja bom, ou seja, todos pecam, pecaram e pecarão. Não estando ninguém livre do pecado, o inferno engoliria a todos e o paraíso abarcaria apenas a santíssima trindade, Gabriel, Miguel e uns tantos querubins passeando de maneira tediosa.

Se Deus é amor, ele não cobraria uma dívida de sangue contra nós. Ainda mais sendo onisciente. Ou seja, lá atrás, na criação de tudo, Ele já saberia o que iria ocorrer. Assim, não faria muito sentido Ele criar os humanos com livre arbítrio e chances de pecar e se rebelar contra Ele apenas para depois condená-los ao inferno de sofrimento eterno…

Até porque, em Apocalipse, tomamos conhecimento que Lúcifer não é eterno e será jogado no lado de fogo e enxofre onde acredito que perecerá – ou será perdoado e mudará sua atitude também? Assim, o inferno não pode ser feito de fogo e enxofre, caso contrário, Lúcifer já estaria morto lá embaixo.

Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

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