O inferno não existe! – Parte 1 – O lugar vazio

Simples assim este título, claro e prático. Entretanto, toda afirmação categórica exige um pensamento que a postula e a baseia de maneira que uma frase simples condensa um sentido maior. Apenas para completar o pensamento, dentro de uma teologia cristã, o inferno “institucional” não existe, e a questão do suposto “julgamento final” (no além para alguns e em vida, dizem, a outros) será o ápice do livre arbítrio a meu ver.

Poderia citar a suposta afirmação de negação do inferno atribuída, recentemente, ao Papa Francisco, mas essa minha conclusão é bem mais antiga, da época da escola, entre meus 15 e 16 anos. A reflexão é bem lógica, na verdade.

O que conhecemos em nosso imaginário cristão como inferno seria um lugar, talvez nas profundezas da Terra ou em um plano espiritual, que seria quente, obscuro, cheio de terríveis monstros, demônios e outros seres que garantiriam o sofrimento daqueles que para lá fossem destinados, os pecadores. O “comandante” do local seria Satanás, ou Lúcifer, o famoso anjo caído.

Confesso que tal ideia é bem imagética e serviu muito bem para incutir medo nas sociedades ao longo da história. Dante Alighieri mesmo nos presenteou com sua obra incrível da qual o submundo é um dos três grandes cenários a aparecer e, sendo bem justo, o melhor trecho em termos de narrativa, figuras e “efeitos especiais”. Pena que não faz sentido algum na realidade fora da ficção (ou talvez isso seja motivo de alegria).

Usando uma lógica bem simples, se Lúcifer foi expulso dos céus com suas hordas de anjos renegados, ele o foi por desacato e discordância com Deus, rebeldia. Logo, ele tentaria: ou abrir concorrência para atrair almas, ou tentar destruir toda criação divina (que me parece mais coerente com o perfil).

Ora, se o anjo caído está em desacordo com Deus, por que ele iria ficar preso a uma espécie de administração de um local no qual fosse obrigado a torturar pecadores? Se ele deseja acabar com a criação de Deus, e já que não respeita Suas ordens, não haveria motivo para, querendo torturar, se restringir a apenas àquele espaço.

Se ele abrisse concorrência com Deus para tentar revelar uma realidade melhor e livre da “autoridade sufocante” do criador, muito menos torturaria aqueles que lhe chegassem aos braços, não seria uma boa forma de conseguir aliados.

Ademais, sejamos honestos em refletir que, se quem peca o faz contra Deus e se Lúcifer cortou relações de admiração com Ele, o pecador seria um tipo de aliado de Satanás.

A bondade não permite o inferno nesses moldes

A bondade e o amor divinos pregados na teologia cristã com Jesus não fazem par à concepção de punição e sofrimento eternos num inferno fechado, delimitado e com manual e comando próprios.

Isso porque, de acordo com a maior parte das escrituras, ninguém pode ser punido antes do julgamento final e ele ainda não aconteceu, pois só ocorrerá após a segunda vinda de Jesus Cristo, o que também não se deu.

Logo, se o inferno institucional existir, ele está claramente com capacidade ociosa (o que justificaria a maioria das letras de funk que nos pipocam junto às novas edições do BBB – se não há trabalho, os demônios se voltam a diversões).

Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s