Uma quarta qualquer – Parte V

As coisas da vida

livrosO tratamento odontológico teve de seguir por mais algum tempo e a amizade deles seguiu pelo mesmo período. Sentiam-se muito à vontade entre si, inspiravam-se. Porém, quando o nome de Bianca M. já não era mais constante na agenda do doutor, foram diminuindo o contato que tinham pouco a pouco…

Pelos rumos que a vida toma sem sabermos exatamente para onde está indo, eles acabaram sem se ver por cerca de cinco anos.

Ela chegou a voltar ao consultório em algumas ocasiões dentro desse período para uma manutenção ou outra, mas não se encontraram mais, ele havia saído do consultório odontológico no qual era recepcionista e auxiliar. Ela sabia que ele seguira seu rumo, assim como ela havia feito.

Ele não carregava dores no peito a respeito dela. Entendia que ela tivera uma vida antes de se encontrarem, assim como ele mesmo tivera a sua, e que ambos seguiriam com suas histórias de vida um sem o outro.

O que carregava consigo, no entanto, era uma lembrança gostosa, tal qual uma cerveja refrescante num início de uma noite abafada. Era uma pena ela tê-lo esquecido. Ele sabia que ela o havia esquecido, deveria estar casada, com filhos, vivendo feliz. Era o que desejava a ela, mas suspirava quando vinha-lhe à mente a pergunta: será que ela se lembrava dele? Pensando nisso, chacoalhava a cabeça como que para espantar tais ideias.

Ele mesmo já estava noivo há um ano, após três de namoro. Estava feliz e planejando se mudar, em breve, para o interior e arriscar uma vida tranquila.

A vida muda. Relembrar não é para todos…

Ainda naquele dia foi ao shopping procurar um presente para seu sogro, que aniversariaria em breve. Sua noiva adentrou uma livraria e foi pesquisar a seção de esportes. Se fossem rápidos o bastante, talvez conseguissem ainda pegar uma sessão de cinema. Ao contrário do sogro, porém, ele sempre preferiu ficção e caminhou naquela direção.

Alguns minutos se passaram enquanto seus olhos estavam fixos no livro que tinha nas mãos. De repente, como se estivesse emergindo d’água, pôde escutar o chamado de sua noiva:

– Nando?

– Oi?

– Te chamei três vezes já! O que acha deste? – e mostrou um livro de um famoso atleta, perguntando se seu pai gostaria.

– Sim, acho que é a cara dele!

– Por que está com esse riso bobo? – perguntou ela, também sorrindo.

– Nada! – devolveu ele com os olhos brilhando – Apenas me lembrei duma coisa antiga.

– Que livro é esse? – e tentando ler a parte de trás do livro que ele trazia nas mãos balbuciou: “Você só tem esse momento para mudar o rumo dos próximos. Lembre-se disso…” – Deve ser autoajuda!

– Vamos? – disse ele, colocando o livro que tinha em mãos de volta na prateleira.

– Vamos – confirmou ela.

Na capa da obra que acabara de retornar à prateleira se podia ler: “Uma quarta qualquer… e outros contos” – de Bianca M.

Mesmo distantes, os dois sorriam pelos momentos únicos da vida que mudam nossos destinos!

Imagem daqui

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Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

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