Como cães e urina

cão bebado na Lapa Outro dia li uma frase dessas de efeito que, traduzida educadamente, sugeria a seguinte questão: Sejamos como os cães, aquilo que não pudermos comer ou transar com, basta mijarmos em cima.

À primeira vista é uma piada, depois talvez se torne uma grosseria, mas, por fim, me pareceu um conselho, mas um desses inúteis. Não por falta de sentido, mas para que pedir para fazermos algo que já fazemos a todo o momento?

Não estou me referindo, por exemplo a pessoas com problemas de incontinência urinária e tal (nem mesmo aqueles com Alzheimer – que, aliás, tenho uma teoria a respeito que explica o porquê da doença, mas que fica para outro texto).

Um cão reage (simplificando bastante) dessas três formas descritas, normalmente, porque não entende algo, não sabe quem ou o quê é, e nem para que serve, se servir para algo.

Caso não seja para se procriar (termo que desconfio que os cães entendam) nem se alimentar, só resta uma alternativa: mijar em cima. E isso por um motivo muito simples, não dá para conviver com a dúvida, então eu atribuo um significado àquilo, encaixo num universo simbólico que entendo e onde a "coisa" possa fazer um sentido. Assim, mesmo equivocado ou simplista, pelo menos não fica a "ameaça" da dúvida.

Um cão entende muitas coisas, inclusive jogos, mas as coisas têm de ganhar um sentido na cabeça deles. Caso não exista nem um que eles encontrem… bem, o mijo deles atribui algum significado.

Nesse ponto eu pergunto: não é isso o que nós fazemos o tempo todo?

O que não entendemos, jogamos numa caixa simbólica mais generalizada e etiquetamos como parte do que, agora, conhecemos.

Pessoas, sentimentos, situações e mesmo os significados de significados. Na maioria do tempo estereotipamos, olhamos tudo de relance e aproveitamos essa pressa infundada de nossos dias para justificar nossa mediocridade em aprender significados (e uso medíocre aqui em seu sentido inicial, de médio, visto, porém, que a média humana atualmente está bem baixa)…

E então? Entendeu? Vai reler o texto e procurar mais a respeito? Ou simplesmente "mijar" em cima?

Publicado por

RDS

Jornalista, escritor, metido a poeta e comediante. Adorador de filmes e livros, quem sabe um filósofo desocupado. Romântico incorrigível. Um menino que começou a ter barba. Filho de italianos, mas brasileiro. Emotivo, sarcástico e crítico, mas só às vezes.

2 respostas para ‘Como cães e urina

  1. Oi Renan! Confesso que fiquei incomodadíssimo com o texto aí de cima! Pensei “só faltou por meu nome!”, “tá falando comigo? de mim???”. Com tantas vivências X experiências, ou vivências + experiências, ou vivências ≠ experiências… que, tomar seu texto como algo pessoal é um mérito seu enquanto escritor, com tantos “vazios” (vide texto anterior) a pessoalidade nos remete a uma condição de sujeito, e portanto, a uma falta, uma falha, um incômodo que seja! E este por sua vez deve (quiçá fosse sempre assim!!!) levar a um aprofundamento, para não dizer preenchimento, do revelado. Me restam 2 comentários: 1º Muito obrigado pelo incômodo, pois este cria movimentos! e 2º me fez pensar num vídeo do Marcelino Freire, segue o link:

    Valeus!

    1. Adorei o vídeo do Marcelino… esse final é muito bom e, depois de algumas associações, bate muito com o que temos conversado. Eu que não vou abaixar minha cabeça para escrever, quase como se disséssemos: eu não vou parar, nem por um minuto que seja, para tentar ressignificar isso. Não vou me atirar de peito num universo que pode cobrar respostas de mim, ou pior, cobrar perguntas, boas perguntas…
      Agradeço pelo seu comentário, não posso negar que a parte mais importante de escrever é bem essa, incomodar, puxar discussões, causar algo dentro do indivíduo, mas o elogio que fez… bem, com certeza mexe com o ego rsrs
      Essa questão de agirmos como cães é curiosa, preciso até repensar esse assunto. Pretendo, até o final da semana, escrever sobre o Alzheimer, veremos como o mundo ao redor me permite ou não completar o desafio hehe
      Abraços e agradeço novamente.
      Aliás, talvez não tenha 100% a ver com o assunto, mas deixo um link de um vídeo que provavelmente já viu, mas nem por isso deixa de ser interessante. Por falar em incômodo… essa é uma boa opção

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