Eu, você, vinho, uma lareira e só a sua pele na minha para nos aquecermos, num chalé, no meio do nada. Ou no meio de tudo, porque se você estiver lá, o que mais seria preciso?
Talvez estejamos numa viagem para a Itália, percorrendo ruelas históricas com cheiro de massa assando e o tilintar de taças ao redor. Um acordeon ao longe, com uma voz já velha e áspera, cantando músicas esquecidas pelas plataformas de streaming, mas que ainda falam ao coração. O barulho da água na fonte, ali na praça, trazendo renovo a cada gota derramada.
Eu te olhei e você retribuiu.
Era um olhar como nenhum outro, que ao mesmo tempo que me despia, também me cobria de uma aura que eu nem sabia ter. Você via o melhor em mim. Até o não dito e não feito.
Eu diria que não sei como você faz isso e é verdade, em partes, pois não me vejo dessa forma, mas o encanto que reluz de ti quando te olho talvez seja uma mesma versão disso em outra direção.
Um show concreto e etéreo ao mesmo tempo. Que é tão forte e firme, mas que me escapa quando tento reter e entre os dedos.
O teu perfume me inebria, o seu toque me enlouquece. Em minha pele corre brasa quando te percebo perto. Me desmancho quando te toco e você fecha os olhos para curtir o momento e, ao mesmo tempo, suspira baixo para não desmoronar.
Quando faz casa nos meus braços, sei que meu peito é teu ninho e proteção. E aí o sol é mais belo, a lua mais prateada e a brisa quente noturna nos acaricia como um presente de quem encontrou seu lugar.
Num banco em meio as árvores de um parque simples e improvisado, com as folhas das árvores coando o sol, ou em um barco no meio do mar, com uma água tão verde que reluz e se mistura ao castanho que você também tem nos olhos… Em cada lugar, ali estamos.
Hum… como eu explico? Sabe quando seu coração acelera, mas o corpo está parado? Quando há uma espécie de eletricidade correndo em suas veias e na sua pele e seu corpo te manda avançar porque você precisa, desesperadamente, tocar, envolver nos braços e sentir o sabor de algo?
Sabe quando se está de frente a uma fogueira e o calor abrasador quase queima sua pele, mas a sensação é gostosa porque o fogo é atraente e hipnótico?
Já sentiu a boca salivar de desejo, ao mesmo tempo em que o coração descompassa, no limiar entre a vontade intensa e a expectativa que se avoluma?
Sabe quando um arrepio corre sua nuca e seus músculos se contraem e você tem de controlar sua mente de uma forma absurda para que suas mãos e todo o resto não reajam de maneira instintiva?
Então… talvez entender algumas dessas sensações se aproxime de como é sentir isso.
A vontade de te enlaçar pela cintura, de sentir o perfume do teu pescoço, passar devagar meu nariz e boca pela sua nuca, sua orelha, enquanto decoro cada curva sua com minhas mãos.
O desejo é de te beijar sentindo o gosto da sua língua, os movimentos ritmados e a textura dos seus lábios. É de descer a mão pelos seus ombros, acariciar seu corpo e sentir sua maciez.
Seja num local proibido, seja numa festa ou num pub com uma luz baixa, vejo seu sorriso e seu olhar me marca e me convida, grita sem voz e pede sem falar.
Nós já vivemos mil histórias, passeios no parque, nossa viagem para praia, o sol dourando sua pele perfeita. Até uma cerveja você tomou comigo admirando o vai e vem da maré, ou era da rua, no meio da cidade? Já não sei.
E quando eu te olhava e a gente sorria um para o outro, os filósofos se calavam, pois nenhuma dúvida existencial pode resistir ao brilho dos teus olhos quando os vi com paixão e desejo por mim.
Tanta coisa e tanta história que só estão na minha imaginação… mas que de alguma forma já são verdade. Porque você me olhou e presenteou, sem saber, naquela noite, e fez minha quarta-feira feliz!

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