Vivemos em uma era obcecada por números. Do momento em que acordamos ao instante em que vamos dormir, estamos cercados por gráficos, tabelas e estatísticas que tentam traduzir a complexidade de nossas vidas em simples dados numéricos. No entanto, será que esses números realmente capturam o que é viver, ou estamos sacrificando a experiência humana em prol de uma busca incessante por métricas?
Nós humanos estamos nos enlouquecendo com nossos índices. Açúcar no sangue, colesterol, taxa de gordura corporal, nível de massa magra, quantidade de carboidratos diários, horas de exercício por semana, passos diários, etc.
Queremos medir tudo, transformar em estatística, colocar nossas vidas em um gráfico. Estamos nos enlouquecendo, isso é óbvio. E nem vou mencionar aqui os likes e afins.
A quantidade de pessoas que vejo em parques se exercitando sem prazer nenhum e sem ter nenhum ganho, apenas para atender aos “padrões” de nosso tempo é incrível. Vale o big data, morre a experiência.
Não estou falando mal do exercício, longe de mim. Apesar de não ser atleta, tenho prazer em atividades como caminhar, correr e outras similares. O problema também não é medir seu desempenho e buscar novos patamares. O ponto é utilizar os números massivos a padronizados e descartar o fator humano, as diferenças intrínsecas.
Talvez o maior problema dessa obsessão pelos números seja a perda de conexão com nosso próprio corpo e mente. Quando nos tornamos reféns de métricas, deixamos de ouvir o que nosso corpo realmente precisa. Em vez de sentir prazer ao caminhar em um parque ou de apreciar o simples ato de respirar profundamente, estamos constantemente pensando se atingimos a quantidade “ideal” de passos ou se estamos queimando calorias suficiente. O resultado é uma vida guiada por expectativas externas, na qual o bem-estar é mais determinado por algoritmos do que por nossas sensações e desejos.
Talvez estejamos perdendo a capacidade de nos conectar de maneira autêntica, com a gente mesmo e com os outros, de valorizar o encontro sem distrações, sem a necessidade de transformá-lo em dados que possam ser comparados e analisados. A vida real, com todas as suas nuances e imperfeições, não pode ser reduzida a gráficos.
Você sabe o que querem de você: qual o nível de massa magra, quantas calorias deve ingerir, qual a velocidade que seu coração deve bater quando em movimento ou em repouso. Porém, você sabe o que quer de si mesmo? Ou melhor, será que temos de nos questionar o que se quer o tempo todo? Será que isso não faz ruir um pouco o que é viver de fato?
Você está correndo e caminhando porque quer ou porque acha é o que esperam de você? Desde que passou a contar seus passos, suas calorias, seus copos de água e a colocar tudo em planilhas, você tem vivido para se sentir melhor consigo mesmo ou para que a planilha reflita um bem-estar que, na prática, você não percebe em si mesmo?
Não somos totalmente quantificáveis! O aplicativo tá bacana, mas você tá legal?

Deixe um comentário