Sim, ela tem grilos, dúvidas e medo. Quem não tem um pouco de ansiedade acho que nem está vivendo no mesmo mundo que o resto de nós. São tantas expectativas e coisas que nos chegam ao mesmo tempo.
Claro que existem coisas como sonhos profissionais, estudos e boletos que nos roubam um pouco o sono, e ela não era diferente. Mas as dúvidas que às vezes a tomavam de assalto eram outras. Porque, afinal, vai saber da honestidade ou sinceridade das pessoas!
Não é medo de crime, era insegurança de quem não assume os próprios sentimentos e, de certa forma, acaba ferindo os outros, que são obrigados a sempre andarem como que pisando numa fina camada de gelo, prestes a rachar. Ela queria que tudo fosse mais simples, correndo solto como um sorriso. Não fácil, mas simples, porque a simplicidade é complexa e bela, como seu jeito de olhar o mundo.
Ela tem os olhos verdes, como dois faróis acesos e intensos e, talvez por isso, ainda enxergue muita cor no mundo. Pelas decepções que sentiu, acreditou que estivesse enganada, mas talvez não, talvez ela simplesmente veja as cores que os outros não notam.
Amigos, risadas fortes, papos rasos e profundos, ela quer de tudo um pouco e de alguns poucos um muito. Sim, porque é possível ser legal e gentil com muita gente, mas aquela roda de pessoas próximas ao nosso coração é diferente. É ciranda: de felicidade, confiança e proteção; onde as lágrimas saem sem culpa ou vergonha e a alma se escancara em leveza.
Ela tem o coração festivo, um riso animado, é cheia de luz como seus cabelos loiros iluminados. A pele clara, os lábios rosados e um jeito leve de viver. Ela quer um amor, ela acredita no amor, de diversas formas. Mas ele começa em si mesma, tem de iniciar ali para ser verdadeiro com os outros. Sua família é base forte, mas, mesmo sendo forte, às vezes a gente chora, se desilude com os desencontros da vida. Os corações que estão descompassados e machucados.
Ela esperou uma ligação, uma mensagem, um convite depois daquela noite. Gostou dele, do jeito sensível, da maneira como pegou de leve em sua mão, como se não houvesse pretensão maior do que apenas aquela, sentir o toque da sua pele, dos seus dedos.
O beijo foi delicioso, sem fogos de artifício, foi um beijo realista e não romântico, ainda era cedo demais para romance, mas continha um sinal, era um beijo de possibilidades. E ela viu tudo isso, quem sabe por que tenha os olhos verdes e veja o mundo colorido, as cores nos capturam, afinal.
Ela mesma, de vez em quando, sofre por capturar demais o coração das pessoas, tanto que elas têm medo de se perder, de esquecerem-se delas mesmas e pensarem somente nela. Ela nunca desejaria isso, é apenas ela mesma e sabe que não pode e nem deve mudar simplesmente porque alguém tem medo do seu riso cativante, do seu jeito jovial e alegre.
Sim, alegre, a menina com quem uma sexta-feira viraria uma festa, mesmo estando só os dois, com uma cerveja na varanda, uma música e um papo solto entre filosofias e risadas com os prédios da cidade ao fundo, como testemunhas de que ela só quer uma vida leve, um beijo sincero e alguém que não tenha medo das próprias emoções.
Alguém que saiba que um filme pode fazê-la chorar só porque é belo, uma pessoa que possa conversar sem fim e também se calar, suspirar, sorrir com os olhos e entender que ela só quer dividir momentos, que muitas vezes se resumem a prestar atenção aos detalhes do rosto do outro, de sentir o ar que roça as faces e perceber que aquele instante passará, mas que, de alguma maneira, já entrou para a eternidade no peito daqueles que não se esquecerão dele. Aprendendo com a vida e se tornando uma mulher admirável, até um modelo para sua irmã jovem, ela captura cada detalhe e guarda como um tesouro em si, porque gosta cada vez mais do caminho que trilha e entende que sabedoria, às vezes, é também desaprender a discernir o que vê, mas você sabe, são aqueles olhos verdes…

Deixe um comentário