E talvez eu não devesse ter permitido que nossos lábios se encontrassem naquela noite, nem ter caminhado contigo pelos recantos do parque. Pode ter sido um equívoco respirar a brisa noturna ao seu lado, fresca e inebriante, envolta em uma aura de irrealidade. Tudo em nós carregava um quê de sonho.
A noite é perigosa para semear sentimentos no âmago do coração.
Quiçá eu não devesse ter feito nada contigo. Pois… depois de você, nada mais tem o mesmo gosto. Tudo o mais parece apenas uma caricatura barata! Uma tentativa patética do que o mundo deveria ser. Pois o verdadeiro mundo residia dentro de seus abraços.
Agora, sou como o tolo que dança de olhos fechados no meio da pista… Tem uma música que fala isso, não? Não tenho certeza, mas sei que danço sem enxergar, sem ter certeza se é para evitar lembrar de você a cada canto que meus olhos alcançam, ou se, ao contrário, é para imaginar que você está ali.
Ali, ali… ali não, aqui, comigo. Podendo sentir sua pele, sua respiração sincronizada com a minha, perceber cada movimento do seu corpo sem precisar olhar, em um ritmo que só nós compreendemos, em uma dança que somente nossos corpos conhecem… e como conhecem.
Dói saber que você não está aqui, mas dói ainda mais saber que não estou aí, com você. E se você se machucar, e eu não estiver perto para fazer um curativo? E se pegar um resfriado, e eu não puder preparar uma sopa e envolvê-la em meu abraço até que você se cure?
Dói… e o mundo está insosso.
Pois a beleza efêmera de um pôr do sol, agora vive tingido de nostalgia. O brilho da lua cheia no céu não consegue mais sussurrar inspiração sem ter você no centro. A escrita delicada de cartas de amor, outrora repleta de promessas, agora parece vazia, as palavras desprovidas de sentido.
Em cada pequena coisa do dia a dia, encontro sua imagem, seu gesto, seu sorriso, o brilho dos seus olhos e o teu gosto, só teu… e ele se sobrepõe a todos os outros, menos um.
Sim, este que grita no peito e arde em meus olhos quando não te tenho: saudade!

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