Na sombra do viver, a alma em dor se encontra,
Em busca de um sentido, em dilema persistente
Entre a luz e a escuridão, a mente se confronta
O coração se agita, em busca de um alívio urgente
–
A angústia paira, como névoa densa e fria,
No palco da existência, sem rota ou direção
De tão cheio, o coração incerto se esvazia
Caminha o autor sem saber por que diz “sim” quando deveria ser não
–
Meus dizeres afiados, represados na garganta
Silenciam o grito, sufoco e aflição
Se não vou dizer palavras santas
Muito menos minhas dores
Se não falo de flores
Não declararei minha inquietação
–
Pois o mundo é frágil cristal,
Quebrável ao aperto da mão
Parece duro em meio ao barulho e borbulho
Mas dança de medo afinal
Chora na escuridão
Se escondendo atrás do orgulho
–
O sorriso estampado é máscara e aparência,
Amando a vida, sem entender o porquê,
Esconde a tormenta, a profunda carência.
O fardo pesado que o coração carrega ao ser
–
Assim, entre suspiros e olhares perdidos,
Com a pena em punho, descreve o poeta a sua sina
Navega por mares escondidos
Sente o peso da vida, mas ainda assim caminha
–
Misterioso, em sua alma um abismo,
Nas entrelinhas, a verdade se esconde
Guarda segredos que o mundo não vê no cinismo
Num poema de angústia, geme a alma que responde
–
Na vida, uma agonia me envolve em seu abraço,
Existir, um mistério, por vezes sem sentido,
Sem entender o propósito, sigo em compasso
Amar e viver, mesmo em um porquê perdido
–
Não desejar partir, mas também não existir,
Em conflito, o peito palpita forte e me calo
Tenho tanto a dizer, mas quem quer ouvir?
Ouço apenas, então, e não falo
–
Silencio o aperto, escondo no olhar,
No coração, uma incógnita que não se desfaz,
Um sorriso no rosto, mas a dúvida a pesar
Sigo em frente, mesmo com o peso da não paz
–
Do limbo escuro, busco a luz que brilha,
Em cada passo, a certeza de um amanhã,
Na esperança, a força que me instila.
A fé no coração, a chama que não é vã
–
Nas cinzas do vazio, a semente germina
Somos a voz que clama por um novo começo
A vida pulsa forte, resistente, esperança nos anima
No caos encontraremos nosso próprio endereço
–
Mora alma, então, na vida
Pois que simples não é, nem será
Nem subida, nem descida
Viver não é linear
Bate peito forte e grita
Fica noite, dia e tarde
Não cessa a luta nem a briga
Viver é chama que em ti e em mim arde
–
E ainda com o incerto no peito,
Caminho firme, na lama não me afundo,
Olho adiante, não desisto, não aceito
Escrevo vacilante meu poema contra o fim do mundo.

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