Renan De Simone

A pena contra o fim do mundo

Na sombra do viver, a alma em dor se encontra,

Em busca de um sentido, em dilema persistente

Entre a luz e a escuridão, a mente se confronta

O coração se agita, em busca de um alívio urgente

A angústia paira, como névoa densa e fria,

No palco da existência, sem rota ou direção

De tão cheio, o coração incerto se esvazia

Caminha o autor sem saber por que diz “sim” quando deveria ser não

Meus dizeres afiados, represados na garganta

Silenciam o grito, sufoco e aflição

Se não vou dizer palavras santas

Muito menos minhas dores

Se não falo de flores

Não declararei minha inquietação 

Pois o mundo é frágil cristal, 

Quebrável ao aperto da mão

Parece duro em meio ao barulho e borbulho

Mas dança de medo afinal

Chora na escuridão

Se escondendo atrás do orgulho

O sorriso estampado é máscara e aparência,

Amando a vida, sem entender o porquê,

Esconde a tormenta, a profunda carência.

O fardo pesado que o coração carrega ao ser

Assim, entre suspiros e olhares perdidos,

Com a pena em punho, descreve o poeta a sua sina

Navega por mares escondidos

Sente o peso da vida, mas ainda assim caminha

Misterioso, em sua alma um abismo,

Nas entrelinhas, a verdade se esconde

Guarda segredos que o mundo não vê no cinismo

Num poema de angústia, geme a alma que responde

Na vida, uma agonia me envolve em seu abraço,

Existir, um mistério, por vezes sem sentido,

Sem entender o propósito, sigo em compasso

Amar e viver, mesmo em um porquê perdido

Não desejar partir, mas também não existir,

Em conflito, o peito palpita forte e me calo

Tenho tanto a dizer, mas quem quer ouvir?

Ouço apenas, então, e não falo

Silencio o aperto, escondo no olhar,

No coração, uma incógnita que não se desfaz,

Um sorriso no rosto, mas a dúvida a pesar

Sigo em frente, mesmo com o peso da não paz

Do limbo escuro, busco a luz que brilha,

Em cada passo, a certeza de um amanhã,

Na esperança, a força que me instila.

A fé no coração, a chama que não é vã

Nas cinzas do vazio, a semente germina

Somos a voz que clama por um novo começo

A vida pulsa forte, resistente, esperança nos anima

No caos encontraremos nosso próprio endereço

Mora alma, então, na vida

Pois que simples não é, nem será

Nem subida, nem descida

Viver não é linear

Bate peito forte e grita

Fica noite, dia e tarde

Não cessa a luta nem a briga

Viver é chama que em ti e em mim arde

E ainda com o incerto no peito,

Caminho firme, na lama não me afundo,

Olho adiante, não desisto, não aceito

Escrevo vacilante meu poema contra o fim do mundo.

Comments

Uma resposta para “A pena contra o fim do mundo”.

  1. Avatar de Shirley
    Shirley

    Parabéns meu escritor maravilhoso

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