Pipas e piões
Em tudo que tu fosses
Seríamos seus guardiões
Promessa complicada
Que só o amor permite cumprir
Galgando os pais tal escada
Ao devir e ao porvir
Gira no quintal, abraça a perna do adulto
Se esconde pra brincar com o mundo
Fala de noite, tem medo do oculto
E em cada palavra revela um saber profundo
Serzinho tão pequeno
E fermento tão enorme
Tem um sono tão sereno
Um amor que nem tem nome
Preenche nosso peito
Alegra a seca alma
Cansados da lida vemos jeito
No sorriso dela, no bater de sua palma
Pois seu olhar nos inspira o algo a mais
Dos sonhos que temos, preferimos o dela
Elevamos o tudo do qual somos capaz
Faz a vida ter mais brilho, ser a luta tão mais bela
Infância era de pião, gude e rolimã
Passamos a Atari, Pogobol, carteado
Veio mais desenho, internet, Instagram
E hoje o sorriso se divide entre a rua e o que é postado
Mas o espírito que a move é igual,
Como o nosso era empurrado um dia
Brincar, sorrir, amar e querer o bem tal qual
Aprendemos no lar que nos subsidia
Pois a verdade é que a guardamos sempre no coração
O que fomos, somos e seremos fazem parte
Da criança que éramos, que sonhava com emoção
E olhava o mundo, vivendo com arte
Então façamos lambança nessa dança que conduz
A criança que há em nós ainda lança luz
Pois alcança algo além da trança ou do capuz
Enche a pança, dá esperança, não carrega cruz
Traz a aliança com a vida, confiança que produz
A melhor mudança, leva à bonança, sem ser lapuz
Deixando de lado a vingança, em semelhança ao andaluz
E é de fato a liderança que leva à intemperança do que é bom, libertando esse espírito que seduz
Bora rolar na lama, correr na chuva
Assoviar andando, tropeçar e bailar
Pois isso cai como uma luva
Para quem é criança ou só quer lembrar
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